WOOL @ ‘Lisbon Street Art & Urban Creativity International Conference’

On the 3rd of july, our co-founder Lara Seixo Rodrigues was one of the speakers at the ‘Lisbon Street Art & Urban Creativity International Conference’, presenting ‘The WOOL - Covilhã Street Art Festival as an instrument of (community) transformation’.

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programa

WOOL @ Conferência “A Relação da Arte Urbana com o Mercado da Arte em Portugal”

WOOL estará hoje representado na Conferência “A Relação da Arte Urbana com o Mercado da Arte em Portugal”, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

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Apresentação
A conferência “A relação da arte urbana com o mercado da arte em Portugal”, tem como objectivo compreender de que forma artistas urbanos e agentes do mercado da arte vêm a existência da arte urbana no mercado da arte.

Estarão presentes dois artistas urbanos, SLAP e Miguel Januário, e dois agentes do mercado da arte, Lara Seixo Rodrigues e Rita Sá Alves, que darão a conhecer a sua opinião relativamente à temática em questão. Pretende-se apresentar diferentes olhares sobre este tema tão controverso e pouco explorado, através das considerações dos participantes sobre pontos como a passagem de intervenções realizadas no contexto urbano para a galeria, a posição do artista perante o mercado, a existência de um mercado direccionado para a arte urbana em Portugal, o papel do agente ou o perfil do comprador.

Programa
15h – Apresentação e contextualização da conferência

15h10 – 1ª PARTE – O olhar do artista
- Slap
- Miguel Januário
- Debate
16h10 – Intervalo
16h30 – 2ª PARTE – O olhar do agente
- Lara Seixo Rodrigues
- Rita Sá Alves
- Debate
18h – Encerramento

Organização
IHA- Instituto de História da Arte (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa)
Marta Simões
Sara Eugénio

WOOL ON TOUR 5 @ LXFactory

O WOOL | Festival de Arte Urbana da Covilhã, assentou no LX Factory há cerca de 2 anos e é hoje, indiscutivelmente, o principal rosto da Arte Urbana neste pólo criativo da capital. Nesta 5ª edição do WOOL ON TOUR, as paredes voltam a ganhar destaque e a Arte Urbana apresenta-se no seu contexto natural.

Para o 12º openday do LX Factory, convidámos Mariana Dias Coutinho, Neberra, Tamara Alves, Tinta Crua, Uivo e David Antunes, cinco artistas com distintas e bastante próprias linguagens, técnicas e imagens, para darem vida a diversas paredes com o selo de qualidade do WOOL e se juntarem à longa lista de talentos nacionais que esta plataforma artística já difundiu em solo português e não só.

O processo e resultados poderão ser acompanhados ao vivo e a cores ou em www.woolfest.org.

(English version scroll down)

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O WOOL | Festival de Arte Urbana da Covilhã, seated in LX Factory 2 years ago and it is today, undoubtedly, the main face of urban art in this creative hub of Lisbon. In this 5th edition of the WOOL ON TOUR the walls will be again the spotlight and the urban art shows itself in its natural context.

For the 12th LX Factory openday we invited Mariana Dias Coutinho, Neberra, Tamara Alves, Tinta Crua, Uivo e David Antunes, five artists with distinct and rather own languages, techniques and images, that will give life to several walls with the quality seal of WOOL, joining the long list of national talents that this artistic platform already spread around the country and not only.

You can follow all the process and results live or at www.woolfest.org.

WOOL @ Expand Your Mind

And here is the result of the 3 days of the seond edition of EXPAND YOUR MIND, that took place in a mitic spot of the city, the Garagem de São João.

A big thank you to the huge number of persons that passed by our place and left messages on the wall! Hope to see you all next year!!

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You can find all the pictures in here: www.facebook.com/media/set/?set=a.661578950557069.1073741859.217600194954949&type

WOOL @ Expand Your Mind

Tomorrow begins the 2nd edition of the event ‘Expand your mind’ in Covilhã, organized by a great group of students from UBI (Universidade da Beira Interior).

WOOL will be there with an exhibition of photographies of some of the works that we’ve spread across the country and outside it. We also have been preparing an urban art collaborative action for all of you. So please, do not miss our spot.

Follow everything about WOOL at our facebook page!

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LATA 65 @ PantaMag

Our project LATA 65 is featured on the new issue of PANTA Mag. The words are from Nuno Manuel da Fonseca, who had the pleasure to interview (or better saying, to have a long and enthusiastic talk) with, the inspiring, Luísa Cortesão.

You can read the article in english by clicking the picture below (pages 22 to 29):

lata 65 @ pantaArticle in portuguese:

ESTE PAÍS TAMBÉM É PARA VELHOS

A evolução científica e a democratização do acesso a serviços de saúde no último meio século trouxeram, entre outras coisas, o aumento da esperança média de vida. Em qualquer país considerado desenvolvido, sabemos que não seremos tão facilmente fulminados por doenças como o eram os nossos antepassados. Assim, existe em cada um de nós a clara noção de que temos uma quantidade razoável de anos para viver, e isto é, de facto, uma admirável conquista da Humanidade, conseguida em muito pouco tempo de História.

Mas, como é sabido, quantidade não é qualidade. E quantidade sem qualidade é apenas uma grande maldição. Enquanto sociedade ainda estamos a tentar aprender como abordar esse período de anos extra, recentemente ganho, ao qual chamámos “terceira idade”.

Na Europa, um território relativamente pequeno onde existem muitos países e muitas cidades grandes, o fenómeno do envelhecimento das populações é facilmente detectável. Nas praças e jardins das cidades vê-se cada vez menos carrinhos de bebé e cada vez mais grupos de pessoas reformadas cujas vidas não foram dinamicamente reformuladas. Lisboa, é a cidade europeia onde este problema mais tem crescido.

*

O projecto LATA 65 é uma ideia de Lara Seixo Rodrigues [Wool – Festival de Arte Urbana da Covilhã] e Fernando Mendes [Cowork Lisboa] e nasce da vontade de encontrar ideias para qualificar o tempo de vida depois de uma vida de trabalho.

A ideia é simples: Organizar workshops de arte urbana para grupos de pessoas que já passaram da idade da reforma. Durante alguns dias, assistidos por artistas urbanos, os participantes aprendem a história do graffiti e arte urbana, as técnicas ‘usadas’ na rua, o stencil, exploram possibilidades e, por fim, vão para a rua partilhar com o mundo as suas ideias, numa parede da cidade.

Nas duas acções já efectuadas, o entusiasmo demonstrado por parte dos alunos foi grande, diria que enorme. Este projecto parece fazer acordar um espírito criativo esquecido, e acima de tudo, traz a sensação de pura diversão, essencial em qualquer idade.

**

Uma das boas surpresas que aconteceu neste projecto foi o aparecimento de Luísa Cortesão, que antigamente era médica, e que hoje é uma jovem artista de sessenta e poucos anos. Conversando com ela a propósito do LATA 65, consegue-se entender o que pode motivar uma pessoa a dedicar-se aos graffiti depois da reforma.

“Porque decidiu fazer o workshop do LATA 65?”

“Porque a minha filha me disse ‘Mãe, há um workshop de graffiti para velhotes’, e eu, como sempre me interessou estas coisas, decidi fazer.”

“O que pensa de haver pessoas na suposta velhice a fazer algo normalmente associado aos mais jovens e a alguma irreverência típica de determinada idade?”

“Não está relacionado com a idade. Pessoalmente, o que me move a fazer isto é a curiosidade e essa não tem a ver com a idade, mas sim com a pessoa. Além da curiosidade, existe, sim, o lado reguila, de ir para a rua fazer uma pintura na parede.”

Desde que participou num dos workshops, Luísa não parou de desenvolver a sua técnica de stencil. Nas suas intervenções artísticas existe a pontual mensagem política ou ambiental, mas o universo mais explorado na sua obra é aquele onde habitam bruxinhas (“são as minhas netas”, esclarece) dragões, serpentes marinhas, cavalos alados e também uma velhota com lata de spray em riste, já ícone informal do próprio LATA 65.

“L is not an artist” é o título da página artística de Luísa no facebook, onde se pode ver todas estas criaturas.

“A Luísa rejeita o título de ‘artista’, porquê?”

“Porque não sou. Vês na descrição da página de facebook ‘just for fun’, e é só isso. Sempre gostei de paredes e de as fotografar, e isto é um pouco uma extensão disso, que exige, claro, um trabalho diferente, de pensar o boneco, levar o material para o local e executá-lo, mas o que me move sempre é a curiosidade de ver como fica.”

E é só isso mesmo. Não há aqui pinga de falsa modéstia. Nota-se que Luísa se diverte com o ritual de preparar os stencil, de ir para a rua e pintar, no entanto, diz que pensa dedicar-se a isto só até se interessar por outra coisa. Não existe a urgência juvenil de fazer uma grande carreira artística. Há, assim, uma grande objectividade no processo criativo e isso acaba por se reflectir na qualidade dos resultados. Há a diferença abismal entre ‘just for fun’ e ‘just for money’.

Aquando da sua passagem por Lisboa, Martha Cooper, lendária fotógrafa de arte urbana, insistiu em conhecer Luísa Cortesão e fotografá-la enquanto trabalhava.

“Não se considera artista, então, o que sente quando alguém como a Martha Cooper se mostra interessada em conhecê-la e fotografar o seu trabalho?”

“Calculo que ela pense ‘ora, cá está outra velha doida’… não sei… eu não a conhecia, mas agora que já sei quem ela é… [ela querer fotografar] é uma coisa que me deixa um bocado babada.”

Luísa não se assume como artista, e não sabe bem como interpretar este interesse todo em torno de algo que ela faz puramente por gosto, mas está tranquila, este é um mistério que a diverte.

“Não vou perguntar ‘porque é que faz graffiti?’, já percebi que é por ser algo que a diverte.”

“Pois, nem sei responder. Porque o faço? Sabe, eu podia estar em casa a descansar, a gozar a reforma, mas… Não! Isto ajuda-me a manter a cabeça activa, sabes?”

***

O projecto LATA 65 tem sido bastante comentado e elogiado em publicações online, a nível nacional e internacional. Foi também uma das propostas vencedoras do Orçamento Participativo de Lisboa 2013, tendo assim obtido verba para o desenvolvimento das suas actividades.

Para este ano encontram-se já programadas 24 acções a nível local e existem vários contactos nacionais e internacionais, vindos de organizações interessadas em receber o LATA 65.

Este projecto pretende aproveitar o espírito criativo que todos temos, independentemente da idade, e levar os mais velhos a manter-se intelectualmente activos, transmitindo-lhes a ideia de que a vida não acabou só porque já não fazem parte da estranhamente classificada “população activa”.

O LATA 65 não é a única forma de conseguir isto, mas aponta um caminho para conseguir com que a “terceira idade” seja mais uma fase activa da vida e não uma mera estagnação. Todos temos o direito a um lugar digno na sociedade, incluindo os que já se reformaram, porque este país também é para velhos.

 

2013 em retrospectiva

Desde que nasceu, o WOOL sempre quis ser mais que um festival de Arte Urbana (da Covilhã).

Nunca quis ser um acontecimento de cariz artístico, feito à medida de um punhado de interessados, exótico e extravagante por acontecer no interior do país. Mais do que ficou em algumas paredes da cidade da Covilhã, em 2011, interessava o que poderia estar para além delas.

A Arte Urbana é para todos, e não é o vândalo bicho-de-sete-cabeças que muitas vezes se pinta, podendo mesmo ter um papel importante na regeneração das cidades e também na vida pessoal de muitos. Não basta, no entanto, expor estruturadamente estas noções para que as mentalidades comecem a mudar, porque muitas vezes o preconceito ultrapassa a secura da lógica. E tentar, a todo o custo, impingir racionalmente uma ideia é um erro, e não mais do que uma forma elaborada de amuar e desistir de a defender.

Para demonstrar que uma ideia é boa e que pode ser útil é preciso, inicialmente, seduzir as pessoas para o potencial da mesma, para posteriormente as envolver na sua dinâmica própria.

Relativamente ao papel que a Arte Urbana pode ter, o WOOL tem como objectivo primordial despoletar em cada pessoa um processo emocional de desenvolvimento de gosto pelo tema, a par de alguma consciência crítica.

*

Este foi o ano de definição do WOOL quanto aos seus objectivos e da sua afirmação enquanto plataforma polivalente no que toca à divulgação da Arte Urbana e sensibilização para o tema.

Participámos em conferências e seminários, em universidades, associações e festivais, carregando estórias em slides e dando sempre mais do que dois dedos de conversa. De cada auditório, salão e saleta trouxemos novas ligações e boas ideias para o futuro.

Mas fomos também convidados a levar acções artísticas a algumas cidades;

No Fundão, no âmbito do Festival Cale, desafiámos o artista Pantónio a pintar pequenas personagens que contam um conto, ponto a ponto, o qual se identificou de Rasto Urbano.

Em Abrantes, no 180 Creative Camp, iniciativa do Canal 180 dedicada à colaboração criativa entre artes, estivemos com vários jovens e futuros artistas na organização de um mural participativo, mas também na experimentação de técnicas de stencil e ilustração, com a ajuda dos artistas Corleone e Samina.

Na Figueira da Foz, fomos responsáveis pela curadoria das intervenções de Arte Urbana, na primeira edição do Fusing Culture Experience, um festival que junta arte, música, desporto e gastronomia durante quatro dias.

A Paris, levámos uma comitiva portuguesa para participar no Tour Paris 13, um acontecimento centrado numa torre que foi objecto de intervenção de artistas de todo o mundo, antes de começar a ser demolida, ainda em 2013.

**

Sempre com a intenção de levar a Arte Urbana ao maior número de pessoas, operámos em várias escalas e para diferentes públicos, e tentámos aproveitar todas as oportunidades que tivemos;

Convidámos novamente alguns artistas a encher de cor algumas paredes do LX Factory, em Lisboa, naquilo a que chamamos Wool On Tour, já na sua 4ºedição (bianual). E levámos à Boidobra o artista GonçaloMAR, para coordenar um workshop para jovens e criar o primeiro muro legal da Beira Interior.

Prosseguimos com o LATA65, projecto que pretende levar grupos de idosos a aprender técnicas de graffiti, incentivando-os, assim, a reacender o seu espírito criativo e a expor os seus universos através de uma forma de expressão inesperada. Depois de apresentado no Ignite: Lisboa, e de ter sido formalizada uma candidatura ao Orçamento Participativo de Lisboa, o Lata65 foi uma das propostas vencedoras, tendo sido atribuída uma verba que permite a sua continuidade em 2014.

Mostrámos um pouco das nossas actividades e resultados das mesmas, ao marcarmos presença no Festival-IN: Inovação e Criatividade onde apresentámos uma pequena mostra fotográfica e artistas a pintar ao vivo.

***

Mas nada do que fizemos*, teria sido possível sem o apoio das diversas entidades, organizações ou simples conhecidos ou até desconhecidos, que acreditaram nesta nossa paixão por ‘pintar paredes’, nem sem a disponibilidade de artistas e amigos que nos têm, directa ou indirectamente, acompanhado nesta aventura.

A todos, sem exclusões, o nosso muitíssimo OBRIGADO… associado à promessa de que neste 2014 vamos continuar empenhados em trabalhar muito mais e melhor (neste desenrolar do novelo!)

2013 review* sendo que quantidade nunca será qualidade e que esta será sempre um dos principais objectivos a alcançar em todas e qualquer acção do WOOL, há números que até a nós nos espantam: 27 murais realizados em território nacional, 11 intervenções em Paris, 7 workshops de arte urbana.

texto por Nuno Manuel da Fonseca para o WOOL