Yesterday we were at the Ignite Portugal session of Orçamento Participativo (‘participatory budgeting’) of Lisbon Council, presenting our project LATA65! A huge thanks to all that closely observed the project and showed support to it! =)
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LATA 65, a idade como um número!
Volvidos alguns dias após a conclusão do projecto LATA 65 | Workshop de Arte Urbana para Idosos, assume-se como obrigatório um olhar retrospectivo sobre uma semana intensa de actividade, de emoções, de surpresas e expectativas superadas dia a dia.
O que suscitou tanta atenção, pela originalidade do tema, pela junção de universos aparentemente tão distintos e distantes ou pelo facto do olhar e cuidar de uma geração tantas vezes esquecida, surgia poucas semanas antes, numa simples conversa de café entre o Fernando Mendes do CoworkLisboa da LXFactory e a Lara Seixo Rodrigues (eu) do WOOL | Festival de Arte Urbana da Covilhã.
Uma vista de olhos sobre um projecto nórdico algo parecido e uma troca de ideias e principalmente, de vontades em demonstrar que a idade é só um número, que conceitos como envelhecimento activo e solidariedade intergeracional fazem a cada dia mais sentido ou que a arte urbana tem o poder de fomentar, promover e valorizar a democratização do acesso à arte pela simplicidade e naturalidade com que atinge as mais variadas faixas etárias (como tem sido constatado pela Covilhã), foi o que bastou para surgir o LATA 65.
O LATA 65 apresentou-se como um (novo) projecto que pretendia a aproximação dos menos jovens a uma forma de expressão habitualmente associada aos mais novos – a arte urbana. Imediatamente se lançou o desafio à ‘nossa vizinhança’, ao Centro Paroquial de Alcântara, que prontamente respondeu, formando um grupo de interessados e entusiastas, que se apresentou no dia 12 de Novembro em pleno ambiente descontraído do CoworkLisboa, dando início a uma semana de aprendizagem das mais variadas técnicas de intervenção nas ruas, em trabalho directo com alguns dos melhores artistas da actualidade, nesta feita com Tosco, Adres, Mar e Miguel Januário (mais conhecido pelo seu projecto MaisMenos).
E se muitas dúvidas (e expectativas) houvesse sobre o interesse ou as capacidades, inclusivamente físicas, dos formandos para as acções necessárias (com uma média de idades a rondar os 84 anos), rápida e diariamente foram sendo completamente dissipadas, diria mesmo, que dia a dia os surpreendidos foram os formadores, toda a equipa que se encontra por trás do projecto LATA 65, os responsáveis pelo centro paroquial e posteriormente toda a comunicação social que veio constatar que todas as ‘vontades iniciais’ foram e são possíveis e reais!
Que é possível despertar interesse nos mais idosos sobre uma expressão muitas vezes incompreendida (pelo simples desconhecimento) ou que é possível colocar a pintar e desenhar pessoas que nunca o fizeram em toda a sua vida, ou ainda, que é possível ouvir o desejo de voltarem a pintar com latas numa parede, após uma primeira experiência.
Resumindo, ao longo dos cinco dias que durou o workshop, que começou por uma pequena introdução histórica ao graffiti e arte urbana, que passou pela criação de um tag pessoal, pelo corte e aplicação de stencil e culminou na pintura de um mural, constatou-se e demonstrou-se que É POSSÍVEL E DESEJÁVEL DESPERTAR, MOTIVAR E ENTUSIASMAR OS MAIS IDOSOS ATRAVÉS DA ARTE URBANA. Que é desejável apresentar a estas gerações, novas actividades, novas técnicas, ditas dos mais jovens, como forma de escape e quebra de rotinas, gerando qualidade, jovialidade e bem estar nas suas vidas!
No que a mim me diz respeito e creio que aqui poderei falar por todas as pessoas envolvidas no projecto LATA 65, tudo o pouco e simples que se ofereceu a este grupo de idosos, foi-nos retribuído no dobro, em alegria, entusiasmo, satisfação, ensinamento e preenchimento aos mais variados níveis!!
O meu grande obrigada à Dr. Isabel, pela abertura com que acolheu esta ideia que muitos tratariam como pura loucura, ao magnífico grupo que chegou até nós, ao Manuel Balé (por nos trazer os projectos feitos em casa), à Maria Luísa Blanc (pelo estilo tão próprio e por fazer apontamentos da parte teórica), à Maria de Lourdes (de tag Armando como tributo ao marido), à Filomena, à Gertrudes (‘a senhora que não sabe desenhar’… e que bem que desenha), à Ana, à Maria Luísa (que chegou com atraso até nós, mas nem se notou!!), à Hortense (a famosa HOT) e por último à Luísa (que continua a desenhar, a cortar stencil e já a pintar na rua!!.. mostrando que o projecto faz todo o sentido existir).
Um agradecimento muito especial aos formadores, os artistas Tosco, Adres, Mar e Miguel Januário, que aceitam de imediato embarcar comigo / connosco nestas pequenas loucuras!
Por último e que será sempre em primeiro, o meu e nosso (WOOL) obrigada ao Fernando (desmultiplicado pela Ana Dias, Sara Espírito Santo, Laura Carvalho Alves e restante equipa do CoworkLisboa) pelo desafio, pelo trabalho contínuo, pelo apoio e por me terem possibilitado uma das semanas e experiências mais intensas e gratificantes da minha vida! *



