LATA 65 @ Festival Walk&Talk

The Walk&Talk Festival invited us for their 4th edition. The Walk&Talk is a public art festival that takes place in the island of São Miguel, Azores. It counts with artists from all over the world to create a route of site-specific instalations, with goal of creating relations with space, culture and local communities. A trully outdoor museum.

LATA 65, was invited by Walk&Talk to be present at the festival for a workshop, between 21th and 22th of July, with the old local community. The result was a big magic wall made by a group of 15 happy old people.

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More photos here.

LATA 65 @ PantaMag

Our project LATA 65 is featured on the new issue of PANTA Mag. The words are from Nuno Manuel da Fonseca, who had the pleasure to interview (or better saying, to have a long and enthusiastic talk) with, the inspiring, Luísa Cortesão.

You can read the article in english by clicking the picture below (pages 22 to 29):

lata 65 @ pantaArticle in portuguese:

ESTE PAÍS TAMBÉM É PARA VELHOS

A evolução científica e a democratização do acesso a serviços de saúde no último meio século trouxeram, entre outras coisas, o aumento da esperança média de vida. Em qualquer país considerado desenvolvido, sabemos que não seremos tão facilmente fulminados por doenças como o eram os nossos antepassados. Assim, existe em cada um de nós a clara noção de que temos uma quantidade razoável de anos para viver, e isto é, de facto, uma admirável conquista da Humanidade, conseguida em muito pouco tempo de História.

Mas, como é sabido, quantidade não é qualidade. E quantidade sem qualidade é apenas uma grande maldição. Enquanto sociedade ainda estamos a tentar aprender como abordar esse período de anos extra, recentemente ganho, ao qual chamámos “terceira idade”.

Na Europa, um território relativamente pequeno onde existem muitos países e muitas cidades grandes, o fenómeno do envelhecimento das populações é facilmente detectável. Nas praças e jardins das cidades vê-se cada vez menos carrinhos de bebé e cada vez mais grupos de pessoas reformadas cujas vidas não foram dinamicamente reformuladas. Lisboa, é a cidade europeia onde este problema mais tem crescido.

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O projecto LATA 65 é uma ideia de Lara Seixo Rodrigues [Wool – Festival de Arte Urbana da Covilhã] e Fernando Mendes [Cowork Lisboa] e nasce da vontade de encontrar ideias para qualificar o tempo de vida depois de uma vida de trabalho.

A ideia é simples: Organizar workshops de arte urbana para grupos de pessoas que já passaram da idade da reforma. Durante alguns dias, assistidos por artistas urbanos, os participantes aprendem a história do graffiti e arte urbana, as técnicas ‘usadas’ na rua, o stencil, exploram possibilidades e, por fim, vão para a rua partilhar com o mundo as suas ideias, numa parede da cidade.

Nas duas acções já efectuadas, o entusiasmo demonstrado por parte dos alunos foi grande, diria que enorme. Este projecto parece fazer acordar um espírito criativo esquecido, e acima de tudo, traz a sensação de pura diversão, essencial em qualquer idade.

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Uma das boas surpresas que aconteceu neste projecto foi o aparecimento de Luísa Cortesão, que antigamente era médica, e que hoje é uma jovem artista de sessenta e poucos anos. Conversando com ela a propósito do LATA 65, consegue-se entender o que pode motivar uma pessoa a dedicar-se aos graffiti depois da reforma.

“Porque decidiu fazer o workshop do LATA 65?”

“Porque a minha filha me disse ‘Mãe, há um workshop de graffiti para velhotes’, e eu, como sempre me interessou estas coisas, decidi fazer.”

“O que pensa de haver pessoas na suposta velhice a fazer algo normalmente associado aos mais jovens e a alguma irreverência típica de determinada idade?”

“Não está relacionado com a idade. Pessoalmente, o que me move a fazer isto é a curiosidade e essa não tem a ver com a idade, mas sim com a pessoa. Além da curiosidade, existe, sim, o lado reguila, de ir para a rua fazer uma pintura na parede.”

Desde que participou num dos workshops, Luísa não parou de desenvolver a sua técnica de stencil. Nas suas intervenções artísticas existe a pontual mensagem política ou ambiental, mas o universo mais explorado na sua obra é aquele onde habitam bruxinhas (“são as minhas netas”, esclarece) dragões, serpentes marinhas, cavalos alados e também uma velhota com lata de spray em riste, já ícone informal do próprio LATA 65.

“L is not an artist” é o título da página artística de Luísa no facebook, onde se pode ver todas estas criaturas.

“A Luísa rejeita o título de ‘artista’, porquê?”

“Porque não sou. Vês na descrição da página de facebook ‘just for fun’, e é só isso. Sempre gostei de paredes e de as fotografar, e isto é um pouco uma extensão disso, que exige, claro, um trabalho diferente, de pensar o boneco, levar o material para o local e executá-lo, mas o que me move sempre é a curiosidade de ver como fica.”

E é só isso mesmo. Não há aqui pinga de falsa modéstia. Nota-se que Luísa se diverte com o ritual de preparar os stencil, de ir para a rua e pintar, no entanto, diz que pensa dedicar-se a isto só até se interessar por outra coisa. Não existe a urgência juvenil de fazer uma grande carreira artística. Há, assim, uma grande objectividade no processo criativo e isso acaba por se reflectir na qualidade dos resultados. Há a diferença abismal entre ‘just for fun’ e ‘just for money’.

Aquando da sua passagem por Lisboa, Martha Cooper, lendária fotógrafa de arte urbana, insistiu em conhecer Luísa Cortesão e fotografá-la enquanto trabalhava.

“Não se considera artista, então, o que sente quando alguém como a Martha Cooper se mostra interessada em conhecê-la e fotografar o seu trabalho?”

“Calculo que ela pense ‘ora, cá está outra velha doida’… não sei… eu não a conhecia, mas agora que já sei quem ela é… [ela querer fotografar] é uma coisa que me deixa um bocado babada.”

Luísa não se assume como artista, e não sabe bem como interpretar este interesse todo em torno de algo que ela faz puramente por gosto, mas está tranquila, este é um mistério que a diverte.

“Não vou perguntar ‘porque é que faz graffiti?’, já percebi que é por ser algo que a diverte.”

“Pois, nem sei responder. Porque o faço? Sabe, eu podia estar em casa a descansar, a gozar a reforma, mas… Não! Isto ajuda-me a manter a cabeça activa, sabes?”

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O projecto LATA 65 tem sido bastante comentado e elogiado em publicações online, a nível nacional e internacional. Foi também uma das propostas vencedoras do Orçamento Participativo de Lisboa 2013, tendo assim obtido verba para o desenvolvimento das suas actividades.

Para este ano encontram-se já programadas 24 acções a nível local e existem vários contactos nacionais e internacionais, vindos de organizações interessadas em receber o LATA 65.

Este projecto pretende aproveitar o espírito criativo que todos temos, independentemente da idade, e levar os mais velhos a manter-se intelectualmente activos, transmitindo-lhes a ideia de que a vida não acabou só porque já não fazem parte da estranhamente classificada “população activa”.

O LATA 65 não é a única forma de conseguir isto, mas aponta um caminho para conseguir com que a “terceira idade” seja mais uma fase activa da vida e não uma mera estagnação. Todos temos o direito a um lugar digno na sociedade, incluindo os que já se reformaram, porque este país também é para velhos.

 

LATA 65 @ Orçamento Participativo LX

O nosso projecto LATA 65, que se encontra na fase de votação do Orçamento Participativo de Lisboa, tem despertado imenso interesse pelo Brasil. São inúmeros os artigos, contactos e comentários de apoio que têm surgido por aqui e pelas redes sociais.

Restam-nos alguns dias para o final da votação e por isso apelamos a todos, que nos ajudem a continuar este projecto!

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WOOL for others | BOIDOBRA (covilhã)

 ‘Muralidades’, is a youth initiative project, sponsored by the Beira Serra in partnership with Wool – Urban Art Festival in Covilhã and Parish of Boidobra and funded by Youth in Action Programme.

The guest artist for this workshop was gonçaloMAR and the 10 young people who participated in this action, aged between 14 and 20 years, had the opportunity to intervene walls of an underpass in order to reclassify it and make it a point of interest in the parish.

The workshop consisted of a theoretical introduction and many hours of practice on the walls. During the five days that lasted the project we worked together (artist, organization, members and participants) on the two walls of the underpass of Boidobra.

On one side, a mural of Gonçalo Mar inspired by the legend of Boidobra (background, with patterns in black and white, was carried by all). On the other side, the first paintings of the participants in which from now will be “HALL of FAME” (free wall painting) of Boidobra.

A message to participants: Thank you all for these days of socializing and we have to see your paintings when we pass the ounderpass. You know, now more than ever, have the “freedom to create”.

mar (1) mar (2) mar (3) mar (4) mar (5) mar (7)mar (6) mar (8) mar (10) mar (11)mar (12)mar (14) mar (15)mar (18) mar (19)mar (20) mar (21)mar (23)Produced by WOOL / Formas Efémeras to BEIRA SERRA – Associação de Desenvolvimento and parish of Boidobra (Covilhã)

all pics by: Pedro Seixo Rodrigues

2013.07.30 – 08.02

Akacorleone @ 180 creative camp

Akacorleone was the second artist we took to Abrantes, to the 180 creactive camp by Canal 180. There, he chosed to paint a peculiar wall, and the result is a kind of comics, the same theme he choose to ‘teach’ and talk about at his workshop.

Mural:
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Workshop:
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LATA 65, a idade como um número!

Volvidos alguns dias após a conclusão do projecto LATA 65 | Workshop de Arte Urbana para Idosos, assume-se como obrigatório um olhar retrospectivo sobre uma semana intensa de actividade, de emoções, de surpresas e expectativas superadas dia a dia.

O que suscitou tanta atenção, pela originalidade do tema, pela junção de universos aparentemente tão distintos e distantes ou pelo facto do olhar e cuidar de uma geração tantas vezes esquecida, surgia poucas semanas antes, numa simples conversa de café entre o Fernando Mendes do CoworkLisboa da LXFactory e a Lara Seixo Rodrigues (eu) do WOOL | Festival de Arte Urbana da Covilhã.

Uma vista de olhos sobre um projecto nórdico algo parecido e uma troca de ideias e principalmente, de vontades em demonstrar que a idade é só um número, que conceitos como envelhecimento activo e solidariedade intergeracional fazem a cada dia mais sentido ou que a arte urbana tem o poder de fomentar, promover e valorizar a democratização do acesso à arte pela simplicidade e naturalidade com que atinge as mais variadas faixas etárias (como tem sido constatado pela Covilhã), foi o que bastou para surgir o LATA 65.

O LATA 65 apresentou-se como um (novo) projecto que pretendia a aproximação dos menos jovens a uma forma de expressão habitualmente associada aos mais novos – a arte urbana. Imediatamente se lançou o desafio à ‘nossa vizinhança’, ao Centro Paroquial de Alcântara, que prontamente respondeu, formando um grupo de interessados e entusiastas, que se apresentou no dia 12 de Novembro em pleno ambiente descontraído do CoworkLisboa, dando início a uma semana de aprendizagem das mais variadas técnicas de intervenção nas ruas, em trabalho directo com alguns dos melhores artistas da actualidade, nesta feita com Tosco, Adres, Mar e Miguel Januário (mais conhecido pelo seu projecto MaisMenos).

E se muitas dúvidas (e expectativas) houvesse sobre o interesse ou as capacidades, inclusivamente físicas, dos formandos para as acções necessárias (com uma média de idades a rondar os 84 anos), rápida e diariamente foram sendo completamente dissipadas, diria mesmo, que dia a dia os surpreendidos foram os formadores, toda a equipa que se encontra por trás do projecto LATA 65, os responsáveis pelo centro paroquial e posteriormente toda a comunicação social que veio constatar que todas as ‘vontades iniciais’ foram e são possíveis e reais!

Que é possível despertar interesse nos mais idosos sobre uma expressão muitas vezes incompreendida (pelo simples desconhecimento) ou que é possível colocar a pintar e desenhar pessoas que nunca o fizeram em toda a sua vida, ou ainda, que é possível ouvir o desejo de voltarem a pintar com latas numa parede, após uma primeira experiência.

Resumindo, ao longo dos cinco dias que durou o workshop, que começou por uma pequena introdução histórica ao graffiti e arte urbana, que passou pela criação de um tag pessoal, pelo corte e aplicação de stencil e culminou na pintura de um mural, constatou-se e demonstrou-se que É POSSÍVEL E DESEJÁVEL DESPERTAR, MOTIVAR E ENTUSIASMAR OS MAIS IDOSOS ATRAVÉS DA ARTE URBANA. Que é desejável apresentar a estas gerações, novas actividades, novas técnicas, ditas dos mais jovens, como forma de escape e quebra de rotinas, gerando qualidade, jovialidade e bem estar nas suas vidas!

No que a mim me diz respeito e creio que aqui poderei falar por todas as pessoas envolvidas no projecto LATA 65, tudo o pouco e simples que se ofereceu a este grupo de idosos, foi-nos retribuído no dobro, em alegria, entusiasmo, satisfação, ensinamento e preenchimento aos mais variados níveis!!

O meu grande obrigada à Dr. Isabel, pela abertura com que acolheu esta ideia que muitos tratariam como pura loucura, ao magnífico grupo que chegou até nós, ao Manuel Balé (por nos trazer os projectos feitos em casa), à Maria Luísa Blanc (pelo estilo tão próprio e por fazer apontamentos da parte teórica), à Maria de Lourdes (de tag Armando como tributo ao marido), à Filomena, à Gertrudes (‘a senhora que não sabe desenhar’… e que bem que desenha), à Ana, à Maria Luísa (que chegou com atraso até nós, mas nem se notou!!), à Hortense (a famosa HOT) e por último à Luísa (que continua a desenhar, a cortar stencil e já a pintar na rua!!.. mostrando que o projecto faz todo o sentido existir).

Um agradecimento muito especial aos formadores, os artistas Tosco, Adres, Mar e Miguel Januário, que aceitam de imediato embarcar comigo / connosco nestas pequenas loucuras!

Por último e que será sempre em primeiro, o meu e nosso (WOOL) obrigada ao Fernando (desmultiplicado pela Ana Dias, Sara Espírito Santo, Laura Carvalho Alves e restante equipa do CoworkLisboa) pelo desafio, pelo trabalho contínuo, pelo apoio e por me terem possibilitado uma das semanas e experiências mais intensas e gratificantes da minha vida! *