UNSAFE SPACE GARDENPT
20 JUNHO _ sábado
21h30
local a anunciar
Acesso gratuito, mas limitado à lotação do espaço.
Cinco anos de existência de Unsafe Space Garden dão acesso a quatro trabalhos discográficos: o EP ‘Bubble Burst’ (2019), o LP ‘Guilty Measures’ (2020), o LP ‘Bro, You Got Something In Your Eye – A Guided Meditation’ (2021) e, o seu mais recente, ‘WHERE’S
THE GROUND?’ (2023). A isso soma-se uma torrente de concertos em território nacional, incluindo passagens por festivais como Tremor e Primavera Sound Porto.
Os anos de 2021 e 2022 serviram para Unsafe Space Garden desabrochar num jardim musical cada vez mais capaz de se comunicar e de se relacionar com um público que cambaleia entre a confusão e o arrebatamento. Ao misturar a sua peculiar forma de
protesto existencial usando os ingredientes do humor, da energia, da cor, do absurdo, do caos e da intimidade, o momento de embate ganha a qualidade de “experiência” e deixa de ser só “mais um concerto”. Foi a traduzir ‘Bro, You Got Something In Your Eye – A Guided Meditation’ para os palcos um pouco por todo o país que os “Unsafe” criaram um eco agora impossível de ignorar e que pavimentou o espaço para o surgimento do seu mais recente LP “WHERE’S THE GROUND?”, lançado pela gig.ROCKS! em parceria com a Discos de Platão.
Se em BYGSIYE a questão era a percepção humana, agora trata-se da procura pela união – pelo common ground – muito semelhante à que é natural quando somos crianças no recreio. Apela-se à preservação da capacidade de deslumbramento infantil, mas com a
consciência de um adulto que tem de ir às Finanças abrir atividade. Unsafe Space Garden quer-nos provar que somos os responsáveis pela nossa capacidade de vermos a novidade, somos nós quem a protegemos, somos nós que nos deixamos aborrecer – ou não.
A matriz ‘Zappiana’ permanece no código genético, mas só como impulso inicial. Agora servem-se de hammonds para beatificar o humor e harmonizam as vozes infinitamente para que nunca nada se tome por garantido. Spoken word ? Sim, também há. Há isso e solos de guitarra, alternância entre a língua portuguesa e a língua inglesa, um momento hilariante com o auxílio de um GPS e sintetizadores escorregadios sempre acompanhados pela alegria efusiva das crianças que nunca abandonaram os seus corações.
Diz Mário Lopes no ípsilon: “Concerto performance. Túnicas coloridas, rostos pintados, (…) sons em rodopio, géneros a colidir, inglês e português a alternarem. ‘Holy shit, we’re alive’, famosas primeiras palavras do álbum, grito muito apropriado a quem acompanha toda a energia e vitalidade do concerto (…) questionar e exaltar, em som e imagem, em disco e a três dimensões, a tão simples e complexa qualidade de se estar vivo.” Dá a impressão que se está a falar de guerreiros que vão para uma batalha. E, de facto, vestem-se e pintam-se como tal: são guerreiros que enfrentam a árdua batalha da auto-perspectivação constante. Fazê-lo é destruir a rigidez dos nomes em que nos engavetamos e que nos prendem a ações compulsivas e, muitas vezes, auto-destrutivas.
“WHEN I ASK FOR TREMENDOUS COMPREHENSION/ I EXPECT YOU TO DESTROY THE LINE OF YOUR NAME”, gritam em “TREMENDOUS COMPREHENSION!”. No fundo reivindicam um pouco mais da compreensão e da atenção necessárias para que consigamos comunicar e perceber que somos todos feitos do mesmo. Há vários métodos e meios, o de Unsafe Space Garden é este – e é único.