WOOL 2026
MURAIS
Ben JohnstonZA
TellasIT
RuídoPT
NasarimbaCA
Mariana, a miserávelPT
INSTALAÇÕES
Addam YekutieliEUA
Octavi SerraES
ACÇÕES ARTÍSTICAS COMUNITÁRIAS
“A Nossa Casa” por equipa WOOL
“Marcha pela Esperança” por MantrastePT
“WOOL Circular”
RESIDÊNCIA ARTÍSTICA - MÚSICA
NoiservPT & Conservatório de Música da CovilhãPT
MÚSICA
Unsafe Space GardenPT
Ema Ferreira & Marco PereiraPT
PatifePT
EntreLaçadoPT
DJ Solid StatePT
RESIDÊNCIA ARTÍSTICA - LITERATURA
Bernardo FortunaPT
EXPOSIÇÕES
“15 Camadas de WOOL – a construção de uma cidade” _ permanente
“Herança Industrial” por Pedro Seixo RodriguesPT
“WOOL @ Museu da Covilhã” _ permanente
CAPACITAÇÃO
“Práticas Artísticas e Participação” orientada por Hugo CruzPT
“School ARt Gallery” – Erasmus+
DEBATE
“O que é importante para nós?” debate integrado na Semana Acesso Cultura 2026
CONVERSA
Apresentação “Primitiva Mag #02”
CINEMA
“Know Hope: the abstract and the very real” ISR _ estreia de documentário
WORKSHOP
“ID WOOL” – oficina de estampagem com carimbos, por equipa WOOL
QUIZ WOOL
CORRIDA WOOL
Orientada por Shadow Program
ALMOÇO COMUNITÁRIO WOOL
VISITAS GUIADAS
Visita guiada orientada pela curadora Lara Seixo RodriguesPT
Visita guiada orientada pela curadora Lara Seixo RodriguesPT e com intérprete de Língua Gestual Portuguesa
Visita guiada ao Museu de Lanifícios – Percurso pela Ribeira da Goldra
Visita guiada ao Museu da Covilhã
Visita guiada ao New Hand Lab
PEÇAS CRIADAS
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A 13ª edição do WOOL saiu à rua para celebrar os 15 anos do mais antigo festival de arte urbana em Portugal. Exemplo de descentralização, inclusão, coesão social e transformação do território através da Arte e da Cultura, o WOOL teve em 2026 a maior participação comunitária de sempre. Durante os 11 dias do festival, as ruas da Covilhã preencheram-se com uma programação multidisciplinar e intensa criação artística em espaço público, para uma certeza: a possibilidade de construção de uma comunidade mais participativa e coesa através da Arte e da Cultura.
Nesta edição, que contou com um número recorde de parceiros (no total, foram 65 as entidades, públicas e privadas, que se associaram ao WOOL), contabilizamos mais de 40 actividades, de foro gratuito, e o fortalecimento do envolvimento comunitário como premissa basilar para uma vivência colectiva sustentável.
Depois da intensa actividade artística que decorreu ao longo de 11 dias, fica o registo das intervenções que resultam desta edição e que integram o já consagrado Roteiro de Arte WOOL que faz hoje, inegavelmente, parte da paisagem e do imaginário da Covilhã: os murais de Ben Johnston (ZA), Ruído (PT), Tellas (IT) e dos Nasarimba (CA); as instalações de Addam Yekutieli (EUA) e Octavi Serra (ES) e os painéis de azulejo de Mariana, a miserável (PT). Além disto, o mega resultado da acção artística comunitária “A Nossa Casa”.
Ben Johnston deixou na Covilhã uma gigantesca parede (de 365m2), inspirada num verso do fado “Covilhã Cidade Neve” de Amália Rodrigues, que convoca a um (re)começo e uma constante renovação, numa mensagem de esperança que todos os dias nasce com o sol, como nasce o sol. O “Novo Dia” deixado por Ben Johnston na Covilhã foi a primeira incursão do WOOL na zona nova da Covilhã, longe do habitual Centro Histórico, e onde uma nova comunidade se junta às já várias do WOOL.
Os Ruído vieram à Covilhã para homenagear e celebrar o centenário de uma instituição histórica da Covilhã e da região: o Orfeão da Covilhã. Nos 100 anos desta casa, nasce um mural de uma história de alto relevo que não se fez só de música, mas também de teatro, cineclubismo, filatelismo e numismática e muito associativismo, reveladoras da força colectiva e de várias pessoas que, quando se juntam, conseguem construir uma instituição parideira de muito talento.
Bem no centro da cidade, na praça principal da Covilhã, Tellas deixa um mural de duas faces, de cor única (azul), pintado sem esboço nem desenho, totalmente inspirado na flora local e em vários padrões que foi capturando e registando na habitual visita ao território.
Também inspirados nos padrões que encontraram por toda a cidade da Covilhã, os Nasarimba deixam um mural de variadas cores, padrões, formas e texturas, uma participação integrada numa tour europeia do programa Calgary Arts Development (Canadá), com paragens em Berlim, Milão e Covilhã.
Na pequena dimensão, e a invocar a memória, a oralidade e as expressões e sotaque covilhanenses, estão 10 pequenos painéis de azulejo, da autoria de Mariana, a miserável, espalhados pela cidade e a convidar à descoberta sem guia uma das facetas identitárias da nossa comunidade.
Aos murais, juntam-se ao Roteiro de Arte WOOL as instalações de Addam Yekutieli e de Octavi Serra. Um dos grandes destaques desta edição do WOOL é o díptico de Addam Yekutieli, que num diálogo entre dois painéis interrogativos, levanta questões sobre temas como colonialismo, história, memória e a nossa relação com a civilização, numa clara indagação com o momento actual da história, mais precisamente o genocídio na Faixa de Gaza prepetrado pelo Estado de Israel. Octavi Serra utilizou o humor para demarcar locais diferentes da cidade e perspectivar os locais do que eles foram e do que poderão ser.
Nas Acções Artísticas Comunitárias do WOOL 2026, “A Nossa Casa” foi dos momentos mais marcantes desta edição do festival, culminando numa inauguração emotiva, no coração da Covilhã, que foi uma celebração de quem participou nos mais de 7.000 quadrados de crochet/tricot que cobrem agora uma casa desta e para a comunidade. A obra contou com mais de 1.000 participantes (da cidade, da região, do país e do estrangeiro) e mais de 105 entidades envolvidas (entre lares, centros de dia, academias séniores, Santa Casa, instituições de solidariedade social, etc.). A peça começou a ser criada ainda em fevereiro de 2026, com um fiel grupo de residentes, e estendeu-se a milhares de pessoas até ao culminar durante o WOOL, com direito a lanche comunitário, a mini-concerto e fotografias, muitas fotografias em frente à – agora – casa mais bonita da Covilhã.
A Marcha pela Esperança, orientada pelo artista Mantraste (PT), envolveu em 29 sessões de trabalho comunitário, um total de 19 escolas e mais de 600 alunos do concelho da Covilhã entre Jardim de Infância, 1º Ciclo e 2º Ciclo e utentes daAPPACDM da Covilhã. Mais de 200 crianças saíram à rua na tarde de 19 de junho para manifestarem os seus desejos, pensamentos, anseios e reivindicações do mundo que as rodeia, numa introdução do festival ao activismo e ao papel cívico da população, em especial os mais novos, o futuro das gerações.
Na música e no encontro comunitário, um dos pontos altos desta edição do WOOL e que encheu por completo a sala principal do Teatro Municipal da Covilhã, foi o concerto de apresentação da residência artística entre Noiserv e o Conservatório de Música da Covilhã. Em palco, um total de quase 40 pessoas, entre artista principal e alunos de 7° e 8° anos do Conservatório da Covilhã, construiu-se uma das noites mais emblemáticas do WOOL onde se pôde ver o talento combinado num espectáculo brilhante que não deixou ninguém indiferente.
Ainda na música, nesta 13ª edição do WOOL, abrimos os portões, há muito fechados, da Garagem de São João, edifício emblemático da Covilhã que se encontra devoluto, para o concerto memorável de Unsafe Space Garden, banda inclassificável de rock alternativo. A seguir, reviveu-se o espaço da Garagem enquanto se revivia a melhor música dos anos 60, 70 e 80, nos discos de vinil girados por DJ Solid State.
Os já costumeiros mini-concertos ao final de tarde voltaram a juntar a população em lugares inusitados ou esquecidos da Covilhã, num convite à (re)descoberta dos lugares que fazem uma cidade. Nesta edição, o WOOL partilhou com a cidade o talento emergente e local de Ema Ferreira & Marco Pereira, dos Patife e do projecto EntreLaçado.
A exposição Herança Industrial, de fotografias e objectos de Pedro Seixo Rodrigues sobre o imenso património industrial da Covilhã, lembrou-nos que temos um compromisso com o património que herdamos e decidir o que fazer com ele (já) hoje. Recebeu a visita de mais de 200 pessoas ao longo de 7 dias, um recorde de visitantes neste espaço.
O Almoço Comunitário, que se voltou a realizar no Jardim Público da Covilhã, voltou a congregar várias gerações num momento de convívio, este ano com direito a bolo de aniversário e actuação do Coro Viés – Vozes em Intervenção, da Coolabora, cooperativa de intervenção social.
O último dia desta 13ª edição teve ainda direito à Corrida WOOL, que fez com que dezenas de corredores, jovens e graúdos, trilhassem a cidade à medida que passam pelo Roteiro de Arte Pública WOOL, na nossa primeira incursão pelo desporto e pela promoção do bem-estar físico.
Desta edição do WOOL, teremos ainda os melhores estilhaços na próxima edição, oriundos do jovem e talentoso escritor Bernardo Fortuna, que esteve estes dias todos em residência literária no festival, acompanhando e interiorizando tudo o que acontecia. O resultado ainda não o sabemos, mas das amostras que fomos tendo, podemos garantir: valeu e vai valer muito a pena.
O WOOL 2026 despediu-se da sua 13.ª edição e da celebração dos seus 15 anos com visitas de pessoas oriundas de várias partes do país e do estrangeiro. Uma autêntica celebração da comunidade covilhanense que durante estes 11 dias cresceu para acolher indivíduos de dentro e fora da região, todos imbuídos pela vontade comunitária de criar e usufruir de arte.
Apesar do corte significativo no financiamento, anunciado no início de maio, que obrigou a um reajuste na programação, o WOOL ergueu-se (com a resiliência de sempre) para uma edição de celebração que juntou, nas suas várias frentes, um número elevadíssimo e diverso de pessoas.
Do WOOL, a maior conquista nunca foi medida pelo número de murais que produz, mas sim pelas relações que constrói pacientemente entre artistas e residentes, visitantes e locais, e pessoas que, mesmo que apenas por alguns dias, passam a fazer parte da mesma comunidade.
E melhor conquista, acreditamos convictamente, não há.
Viatura Oficial